Quem conta um conto….

Autor: Cristina Schonwald de Oliveira

Gestora para Assuntos da Terceira Idade e escritora.

Hoje lembrei de um conto que ouvi e que falava sobre um jovem que durante um longo espaço de tempo assumiu um compromisso e dividiu sua vida entre o cuidar de alguns idosos e o estudar com um professor já ancião. O local onde esta história aconteceu é desconhecido. Este rapaz passava seus dias focado somente entre essas duas tarefas, cuidar e estudar. Depois de passado muitos anos, seu professor avisou que era chegada a hora de fazer novas coisas, expandir sua mente e abrir novos horizontes. Então, este jovem foi levado pelo ancião até um local por onde passava um lindo e imenso arco-íris e foi incentivado a dar um passo e entrar nele. Dizem que ele ficou com receio, mas foi estimulado a se permitir ir e descer por aquele arco de cores que estava na sua frente. E, mesmo com relutância, o rapaz entrou, e à medida que ele ia descendo foi sendo envolvido pelas diferentes cores e uma imensa alegria ia chegando e fazendo ele rir muito, se divertir e começar a ver novas perspectivas e maneiras de viver a sua existência.

                A lembrança deste conto aflorou quando me permiti parar e contemplar o espetáculo que se apresentou num céu de final de tarde. O horizonte se tingiu de tons rosados, azulados e com nuances na cor violeta. As nuvens presentes ficaram coloridas pelo reflexo do cair do Sol. Ao longe, um imenso arco-íris se apresentou. Um show da natureza que trouxe uma vibração tão intensa que tocou a alma, acalmou o coração e serenou a mente. Minutos de pura interação que dependem unicamente da nossa decisão de parar e olhar para serem usufruídos. Um pequeno momento trazendo uma harmonia e um bem-estar imensos, que fortalece a quem o presencia e ajuda a dar melhor continuidade com compromissos assumidos.

                Muitas vezes as atividades diárias se apresentam como nuvens num céu azul. Para algumas pessoas, essas nuvens podem parecer escuras, densas e significar o prenúncio de chuva ou um temporal. Para outras, elas não são nada além do que a nossa imaginação queira construir, como uma pintura embelezando o céu. O fato é que elas existem, mas o significado depende do que nós atribuirmos ao que vemos, pois a beleza e a magia dependem do nosso olhar.

                Permitir-se, eis algo muito importante que na maioria do tempo ficamos bloqueando. Envolvidos nas convenções que nos cercam, deixamos de desfrutar de experiências que podem nos transformar em pessoas mais equilibradas e até mais sensatas. O bom senso tornou-se um artigo de luxo que dificilmente estamos encontrando na convivência social e familiar. Quando o jovem, do conto aqui lembrado, fez a ação de entrar num arco-íris e foi se abrindo para viver aquele momento inusitado para ele, determinou um novo rumo para sua jornada. A decisão deu novo significado, novo valor e sentido para as suas rotinas.

                Quem conta um conto aumenta um ponto. Ditado popular utilizado quando alguém conta algo, pois geralmente um pouco do narrador passa para a história contada e recontada. E quando o conto contado é por alguém gravado, é sua a decisão de qual o rumo que a ele será dado. Qual pode ser a escolha? Permitir-se estar atento ao momento que se apresenta e vivenciar de forma consciente e plena as novas experiências? Ou será a escolha de deixar passar o arco-íris com sua vibrante energia de alegria? Viva a história que você quer contar. E não esqueça que você é responsável por aquilo que espalhar.

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