Viajando, passeando, saindo da rotina

Viajando, passeando, saindo da rotina

 

Autor: Cristina Schonwald de Oliveira

Gestora de Assuntos para Terceira Idade

 

Entrar para a Terceira Idade não é sinônimo de acomodação ou de limitação para realizar seus sonhos, suas metas, como algumas pessoas pensam. Para minha surpresa, este ainda é o pensamento arraigado que encontramos em muitos núcleos familiares.

Somos seres sociais por natureza. É no convívio social, nas diversas interações que nos reconhecemos, que nos descobrimos. Somos diferentes, pensamos diferente, sentimos e nos expressamos de modo único, e é no encontro com as diferenças que melhoramos, que aprendemos e evoluímos.

O fato de nos afastarmos da rotina e da nossa comodidade para conhecer novos lugares e outras pessoas nos ajuda e descontrai, melhora o humor, tira a rigidez de costumes rotineiros e crenças que vêm de geração em geração nos grupos familiares. Permitir-se sair de rotinas diárias que se tornam hábitos mecânicos e sem sentido, seja com amigos, familiares ou desconhecidos, por dias ou por alguns momentos, já nos torna diferentes.

Afastar-se do local onde residimos, conhecer os arredores, outros ambientes e, de acordo com a nossa realidade, buscar uma viajem mais longa ou até uma visita a um parque. Realizar contato com pessoas diferentes, pois isso enriquece nossas vidas, abre nossas mentes, traz boas energias que beneficiam nossa saúde física e mental, além de refletir nos nossos relacionamentos.

Condicionamo-nos a velhos hábitos arraigados, perpetuando atitudes que por vezes podem nos levar a ficar ranzinzas, teimosos, afastando as pessoas do nosso convívio, pois nossas conversas acabam girando em torno de nossas vidas limitadas em um casulo com mais problemas do que experiências positivas e diferentes.

Olhando para o novo, para o diferente modo de viver das pessoas, deixando de estar no piloto automático e realizando tarefas mecanicamente, assim poderemos estar realmente presentes de corpo e alma nas nossas vidas e nas vidas de com quem convivemos. Vemos, então, que não existe um modo certo ou errado de se viver, mas sim maneiras diferentes, que ampliam nossa visão da vida, tornando-a mais leve e melhor.

Passear, viajar ou mesmo sair por alguns momentos de casa, entrando em contato com novas realidades, novos pontos de vistas, olhar para o outro sem preconceitos e sem medo de interagir é deixar um pouquinho de nós, da nossa essência, da nossa vida. É também receber do outro e nos enriquecer com o que aprendemos com ele, e como diz Chico Xavier: “A felicidade não entra em portas trancadas”.

Nós podemos e devemos buscar nosso bem-estar com alegria, com respeito aos nossos limites físicos, emocionais, econômicos e abrir nossas mentes para viver outras possibilidades que nos tiram do casulo da acomodação. Envelhecer não é se limitar, é se reinventar.