Refletindo Sobre a Depressão em Idosos - Parte 1

Refletindo Sobre a Depressão em Idosos - Parte 1

Autor: Cristina Schonwald de Oliveira

Gestora de Assuntos para Terceira Idade

A Depressão é um distúrbio do humor que figura entre os transtornos mentais e é considerada como uma doença crônica que atualmente tem uma incidência elevada. Seu diagnóstico é feito a partir de critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM – V) da Associação Psiquiátrica Americana e é realizado com a identificação de uma série de sintomas, dentre eles: tristeza, alteração do sono, desânimo, dificuldade de concentração, pensamentos negativos, fadiga, entre outros.

                A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que em 2020 a Depressão será a segunda causa de incapacidade no mundo, sendo o transtorno psiquiátrico de maior incidência em idosos.

                Convivendo e cuidando de um idoso, com a observação e o olhar criterioso, colocou-me diante de comportamentos que num primeiro momento não foram compreendidos e que geraram sentimentos tais como a vontade de afastamento do convívio e até irritação. A Depressão apresentou-se com um comportamento apático, momentos de isolamento mental e emocional, manifestações de fadiga, de não querer continuar vivendo, ausência de interação social. O que mais impactou foi a indiferença. A indiferença quando as perguntas ficaram sem resposta, quando a conversa não fluiu, quando uma refeição que foi realizada com carinho e capricho nem foi percebida, e foi então, nesses momentos, que até a mágoa surgiu por falta de consciência do que estava acontecendo e o medo do desconhecido.

                Até a realização da busca de conhecimento e entendimento com um profissional da saúde, esses sintomas acabaram sendo considerados como se fossem parte do processo natural do envelhecimento. Aprofundando algumas informações específicas deste ciclo da vida, um novo olhar surgiu ao se verificar que existem fatores que podem estar associados ao surgimento da Depressão nos idosos, tais como a redução de papéis sociais no ambiente profissional, com amigos, no ambiente familiar (eventos como a aposentadoria, o luto), menos decisões, perdas de funções e capacidades, alterações endócrinas, neurológicas e o surgimento de doenças físicas.

                A disponibilidade de tratamentos para a Depressão, que pode ser curada, inclui medicamentos associados ou não a algum tipo de psicoterapia. Existem várias alternativas que podem ser usadas e que proporcionam uma melhor qualidade de vida para quem está se tratando, como a fitoterapia, a acupuntura, o pilates, a musicoterapia, o reiki, a meditação e a busca da espiritualidade, todos tratamentos eficazes, com comprovada resposta positiva na recuperação do doente. A alimentação antidepressiva, que estimula a produção de hormônios do bem-estar, é outro fator importante e fundamental para o acompanhamento dos tratamentos e que proporciona mudanças na resposta cerebral, melhorando o humor.

                Precisamos realmente buscar a informação, o conhecimento correto, com profissionais capacitados, com literatura indicada por eles, comparar dados, refletir e usar a meditação, que é uma ferramenta maravilhosa, que nos leva à clareza mental e à tranquilidade para enfrentar os novos desafios de conviver com um familiar com Depressão.

                Talvez, o maior desafio seja o de aprender a cuidar de nós mesmos com responsabilidade e respeito para poder entender o momento que o outro está passando. Para refletirmos, deixo uma frase da mensagem recebida no Núcleo de Estudos Estrela do Oriente – NELO, do Cacique Amarapuá:

“Busquem a força dentro de si, percebam que o medo é uma ilusão, olhem sempre de novo para a mesma situação, para aprender a distinguir os fios invisíveis que nela estão presos ou sendo tecidos. ”

 Acesse e baixe o Manual neste link: http://www.tdahmente.com/wp-content/uploads/2018/08/Manual-Diagn%C3%B3stico-e-Estat%C3%ADstico-de-Transtornos-Mentais-DSM-5.pdf

Podemos, também, encontrar maiores informações e nos aprofundar no assunto, através do SciELO – Scientific Electronic Library Online, que é um portal de revistas brasileiras que organiza e publica textos completos de periódicos científicos na internet:

Site: http://www.scielo.org/index.php?lang=pt