O Lado Invisível da Depressão - Parte 2

O Lado Invisível da Depressão - Parte 2

Autor: Cristina Schonwald de Oliveira

Gestora de Assuntos para Terceira Idade

 

Na reflexão que realizamos no artigo anterior sobre a Depressão em Idosos, conversamos de maneira geral sobre o seu significado e sobre os sintomas que contribuem para a sua identificação, com fundamentação científica e através de consulta com profissionais da saúde.

Outras reflexões surgiram ao ponderar sobre o porquê demorarmos para perceber quando a depressão está presente e sobre a demora para se diagnosticar. Ao pensarmos sobre o que está invisível numa situação de depressão em qualquer idade, verificamos que está no achar que por ser criança é o jeito dela mesmo, sempre foi assim, logo passa, e a criança também não sabe explicar os seus sentimentos adequadamente. Quando é em um jovem: isso é coisa de adolescente, bobagem, já vai passar. Quando em idosos: isso é coisa de velho, e não se deve dar atenção. Este pode ser o resultado de uma vida corrida, atribulada, sem tempo para nos olharmos, nos encontrarmos, compartilharmos nossos pensamentos, emoções, medos e dúvidas. Pode ser também o resultado de preconceitos, de crenças arraigadas que vão passando de geração para geração. Podemos atribuir ao avanço tecnológico que nos envolve, nos prende em uma teia de ilusões e que não nos permite enxergar a verdadeira realidade ao nosso redor. E pode ser que seja tudo isso junto.

Assim, envolvidos, não temos mais tempo para nossa família, para nossa vida, muito menos para o que seria o principal, que é olhar para nós. Acabamos nos tornando invisíveis até mesmo para nós, não nos respeitamos, negligenciamos nosso corpo que sustenta a nossa caminhada nos nossos diferentes ciclos. Não nos olhando com atenção, cuidado e amor, não nos preparamos para vivenciar o passar do tempo com saúde física, psíquica e emocional, e, por sua vez, nossos relacionamentos acabam sendo superficiais.

Ao analisar o que está oculto em situações de depressão em um idoso, me deparo com a confusão, com a distorção, com a troca de achar que tudo o que está acontecendo é só por ser parte de um processo de demência. Me dou conta também no quanto tornamos um idoso invisível para nós, por ser mais fácil deixar de lado as dificuldades que se manifestam, não enxergando o que está acontecendo, pois encarar alguns fatos implica assumir responsabilidades. Quando observamos que nossos idosos estão se desequilibrando muito fácil, com dificuldade para caminhar, que não estão se alimentando corretamente, emagrecendo muito ou engordando muito, que os remédios começam a ser trocados ou não tomados, não querendo mais sair de casa ou interagir com a família, precisamos ficar atentos. Nesse momento, muitos familiares ou filhos dizem que não adianta falar ou querer colocar alguém para ajudar, a teimosia do idoso não permite auxílio, vão deixando passar o tempo, mas o que vemos é que as coisas não se ajeitam, pois depende do familiar a tomada de decisões. Decisões que são difíceis, pois, assim como quando decidimos em algum momento de nossa vida ter um filho mudando nossa rotina, temos que decidir sobre vidas de quem está em um processo de envelhecimento com sinais de dificuldades, de depressão. Esse momento representa a mesma mudança de vida que é a de assumir responsabilidades e cuidar de outro ser que necessita de nós.

Estar atento aos sinais que estão se apresentando na rotina de um idoso vai proporcionar encaminhamento adequado para que não só a depressão como qualquer outra doença seja adequadamente tratada. A busca por uma vida mais equilibrada e com qualidade passa por uma mudança de olhar, de posturas, passa por um despertar de consciência de todo um viver mais atento, com mais amor, mais respeito e consideração pela vida do outro, independente de sua idade, religião, identidade, opinião. Deixo aqui uma reflexão que é parte de uma mensagem de Pai Benedito de Aruanda:

“Sim, filhos do meu coração, a grande chave está nas suas escolhas de hoje. Escolham a consciência, pois não necessitam ser dirigidos e nem dirigir a outros. Basta aprenderem a focar em seu próprio caminho sem descuidar do que necessitam; única e exclusivamente, vocês são os responsáveis pelo seu agora e pelo que virá. Então, que seja o que virá cheio de muitas conquistas para seus espíritos, por meio da busca pelo conhecimento, pois assim serão vitoriosos em suas escolhas, e seus caminhos terão pedras, mas também terão abundância de flores para colorir e embelezar as suas jornadas.”